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43º CIOSP: Prevenir, identificar e agir: o papel do profissional da saúde no enfrentamento da violência contra a mulher


Espaço de reflexão e diálogo ressaltou a importância da ação coletiva entre profissionais de saúde para redução das estatísticas 


De acordo com um levantamento do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, o volume de feminicídios em 2025 foi o maior registrado, com 1.470 casos entre janeiro e dezembro, uma média de quatro ocorrências por dia. 


Com este dado, iniciou-se o espaço de reflexão promovido pelo “Vozes da Saúde” na Arena CROSP, palco de palestras do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) no Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP). 

O Vozes da Saúde é uma iniciativa da Comissão Temática das Mulheres Cirurgiãs-Dentistas, em parceria com o Fórum dos Conselhos das Atividades Fim da Saúde (FCAFS). Com uma introdução da cirurgiã-dentista e secretária do CROSP, Dra. Roberta Espinosa, que definiu o encontro como um “momento histórico”, o espaço contou com a presença de diversas entidades do setor.


A Dra. Juliana Mendes, presidente do FCAFS, abriu a conversa ressaltando a participação dos conselhos no combate à violência contra a mulher. “Precisamos entender onde estamos errando e o que estamos fazendo em relação a isso”, mencionou. 


Em seguida, Kenny Ramponi, representante do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN-SP), apresentou as ações conduzidas pela organização, entre elas um curso de capacitação e prevenção da violência contra a mulher, promovido por meio do programa Capacita+, o Guia de Violência no Trabalho, eBook online gratuito do COREN-SP, e a criação de uma comissão in loco responsável por realizar o acolhimento de vítimas de violência.


Rosirene Gottardi, representante do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de São Paulo (CREFITO-3), enfatizou o olhar biopsicossocial dos profissionais de saúde, inclusive na observação de indícios de agressão. A fala precedeu a participação da Dra. Caroline Toledo, que, em nome do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP), demonstrou preocupação em mostrar o potencial de liderança das mulheres no mercado. A doutora mencionou, ainda, o caso do cão Orelha, vítima de maus-tratos na região de Florianópolis (SC), e como o profissional de Medicina Veterinária pode ser decisivo para identificar preditores de violência. 


Viviani Fontana, do Conselho Regional de Nutrição (CRN 3), frisou o estigma sofrido por mulheres nutricionistas (que representam 95% do setor), por padrões corporais, sendo essa uma das principais infrações éticas na área. A informação levou ao desenvolvimento da campanha Nutrição Sem Estereótipos. Já Danyelle Marini, do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP), relembrou que a expectativa para a redução da desigualdade de gênero é de 130 anos e a missão dos representantes dos conselhos é entender as ações que podem levar à capacitação de profissionais para não só lidar com a prevenção contra a violência física, mas incentivar o empreendedorismo e a saúde mental das mulheres. 


A representante do Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região (CREF 4), Cida Conti, salientou a existência da Câmara da Mulher, criada em 2004 para dar apoio às profissionais de Educação Física em casos de assédio e falta de autonomia financeira.


Ela também relembrou a cartilha sobre assédio moral e sexual, disponível no site do CREF/SP, e o Protocolo Não Se Cale, criado em parceria com a Secretaria de Políticas para a Mulher do Estado de São Paulo (SPM) para capacitar profissionais em acolher vítimas de assédio nas academias e centros esportivos. Em seguida, Beatriz Dotta, do Conselho Regional de Psicologia 6ª Região - CRP SP, explicou o impacto do estigma sofrido por homens na violência contra a mulher. Ela evidenciou os cinco tipos de violência (física, psicológica, moral, patrimonial e sexual), e que “dar nome” à violência, procurar ajuda por meio dos canais de denúncia e se educar para desconstruir e debater o tema são os principais passos para promover a prevenção. 


Para finalizar o encontro, Raphaela Fini, do Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo - CRESS 9ª Região (CRESS-SP), corroborou a desigualdade de gênero como algo “não natural”. Na ocasião, pontuou a responsabilidade de todos os profissionais de saúde em reduzir os impactos, citando um caso de agressão identificado em um consultório odontológico. “A violência contra a mulher não atinge só mulheres, mas toda a sociedade e todos os corpos”, declarou.


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